Após a invasão americana que destituiu e prendeu o ex-ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, quem (de fato) será o presidente?
É de conhecimento público que as forças armadas dos Estados Unidos da América (EUA) deflagraram uma operação militar na Venezuela, neste sábado (3). Também é notória a captura do ex-ditador do país sul-americano, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cilia Flores. Ademais, ambos enfrentarão acusações num Tribunal Federal em Manhatan, New York (NY).
A procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, através do X, confirmou o indiciamento de Maduro no Distrito Sul de New York. O ex-ditador responderá a pelo menos quatro acusações: conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos, e conspiração para posse de metralhadoras e dispositivos explosivos contra os EUA.
Contudo, realmente interessa aquilo que não está exposta, não é notório ou evidente, tampouco de ‘conhecimento público’. Por exemplo, quem (de fato) será o presidente da Venezuela? E não falo de quem vencerá as próximas eleições (quando ocorrerem). Após tanto tempo da ditadura socialista na Venezuela, e suas possíveis relações com o narcoterrorismo e o narcotráfico, quererá o establishment americano um novo governo tão rapidamente naquele país?
O Verdadeiro Presidente?
Conforme o professor e historiador Aurélio Schommer, o presidente (de fato) da Venezuela não será decidido por eleições (mesmo que ocorram). Pois o cargo já estaria ‘ocupado’ pelo Secretario de Estado dos EUA, Marco Rubio. Para tal afirmação, o professor Schommer elenca algumas observações muito interessantes. Por exemplo, a ausência de reação antiaérea e de resistência de fato contra a operação militar americana, indicando apoio interno e não só da ‘oposição’. Ou seja, os próprios militares venezuelanos cansaram de Maduro.
Além disso, acredita que a aliança Trump-Rubio, após a truculência durante as primárias republicanas, que levou o senador de origem hispânica a Secretario de Estado, já acordava esse objetivo. Na palavras do professor Schommer:
Acompanhei quando Rubio e Trump foram adversários nas primárias republicanas de 2016. Polos opostos. Acabaram se entendendo. Pelo visto agora, Trump deve ter lhe dito algo assim: “o lugar de presidente dos EUA é meu; mas se você quiser governar a Venezuela…”.
Rubio foi aprovado como Secretário de Estado no Congresso pela quase unanimidade, com grande apoio entre os democratas. Entre os hispânicos, cada vez mais numerosos e influentes, ele é popular. Tem a chance de se projetar ainda mais. Que faça um bom governo (de fato) na Venezuela.
Rubio governará a Venezuela?
Há algum tempo tivemos contatos com uma venezuelana próxima da mãe do falecido Óscar Pérez. Naquela época já falava-se em derrubada da ditadura socialista apenas por intervenção americana, dada a perseguição implacável aos opositores. Mais recentemente, uma fonte com contatos dentro da resistência política no país alegou que uma intervenção americana não resultaria numa ascensão da oposição. Mas de um governo fantoche, para limpar o chavismo e estabelecer um regime ‘democrático’ e alinhado aos interesses americanos.
Ou seja, Trump colocaria a Venezuela sob a tutela do governo dos EUA, porém, sem entregar à oposição que venceu as últimas eleições, mas não levou. Devemos observar um ‘saneamento’ do chavismo e uma lenta evolução do regime – da ditadura à ‘democracia’. A queda dos cartéis, do fluxo de dinheiro, bens e mercadorias do narcotráfico, as portas fechadas ao narcoterrorismo e a recuperação econômica possivelmente serão as “palavras de ordem” de Whashington. E o professor Schommer adota a mesma linha.
Navegando por aí, encontrei no Miami Herald as melhores informações sobre como está a situação nas ruas da Venezuela, o que os moradores estão vendo e sentindo. Quanto a análises, há várias interessantes em La Nacion (Argentina), CNN em espanhol, BBC e Fox News. Elas ora convergem para presumir a submissão de fato do que restou do regime às ordens de Washington, com uma fachada de discurso retórico de resistência, ora têm dúvidas de como isso funcionará na prática e como reagirá uma oposição histórica ao chavismo frustrada pela permanência do chavismo em Miraflores e no comando (formal) do exército venezuelano.
Uma conclusão em comum: depois da ação contra Maduro e do que foi dito na coletiva de imprensa do governo americano hoje, Trump e Rubio não poderão admitir que o chavismo siga no comando e, ao mesmo tempo, hostil ao que querem os EUA da Venezuela, como a recuperação do sucateado setor petrolífero.
Democracia? Mesmo que o poder fosse entregue ao grupo de Maria Corina, desmantelar toda a estrutura chavista, baseada em grupos criminosos e políticos cleptocratas de baixo perfil, enfrentaria grandes dificuldades. O mais provável é um longo período de transição, com aquelas caras chavistas horrendas dando ordens na TV estatal. Se essas ordens terão de fato origem em Washington, resta conferir. Acho provável, mas só acredito vendo.
E o Restante do Mundo?
Possivelmente, a operação dos EUA na Venezuela resultará num abandono de Ucrânia e Taiwan. Ambas, ficarão sob a zona de influência direta de Rússia e China, e (em breve) com governos fantoches. Se não há um acordo formal, parece haver um tácito entre Trump, Putin e Xi Jiping. Mas nessa dança das potências, quem deve se preocupar são os países na zona imediata de influência dos EUA.
Ministério das Relações Exteriores do México não demorou a reagir condenando a operação americana e clamando pela ‘soberania da Venezuela’. Claro, nem um pio sobre a soberania do povo venezuelano, que votou maioritariamente na oposição, mas viu-se alijado de seus direitos políticos. Terão os Cartéis mexicanos alguma influência nessa pressa do MRE do México?
Ditadores bananeiros metidos a caudilhos também devem se preocupar. Portanto, se Cuba, terra natal da família de Rubio, ainda não caiu…. Tanto o regime socialista da Ilha dos Castro, como do fascínora Daniel Ortega – perseguidor e assassino de sacerdotes – podem ter muito a temer. Pararão Trump-Rubio na Venezuela? Será tão somente o interesse (que ninguém nega) no setor petrolífero do país? Importantes líderes europeus manifestaram-se mostrando cautela tanto em criticar a operação americana – mencionando timidamente a soberania da Venezuela -, como condenar o regime chavista.
Hegel afirmava que a era pós-liberal seria uma Era das Monarquias… Entretanto, não significa necessariamente o retorno dos monarcas com suas vestes e tronos reluzentes. Talvez, a ascensão de figuras que carreguem esse (sic) arquétipo (sic) e constituam novos ‘impérios’. Putin, Xi Jiping e o próprio Trump parecem se encaixar (independente do ‘tipo’ de ‘monarca’ e ‘império’).
E o Brasil?
Segundo o analista político Filipe Altamir: “[…] o acordo de Trump que culminou na eliminação das sanções contra [Alexandre de] Moraes envolvia também cooperação estratégica, territorial e provavelmente um silêncio por parte de Lula pra facilitar sua operação”. Portanto, Lula teria sacrificado o apoio a Maduro para beneficiar Moraes, ao invés de renegociar realmente as tarifas comerciais. Eis a prioridade do governo socialista brasileiro…
No mais, Trump e Rubio sinalizaram pressão na ditadura de Cuba e no governo da Colômbia, assim como no governo do México. O motivo? Uma política mais firme contra os Cartéis na América Latina… Trump disse claramente gostar da presidente do México, Claudia Sheinbaum Pardo. Todavia, alertou: “Mas os cartéis mandam no México — ela não manda no México”. As indagações acima sobre a influência dos Cartéis na reação do MRE mexicano parecem tomar corpo, leitor?
No entanto, sobre o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, o presidente americano enfatizou: “Ele tem fábricas de cocaína, ele tem instalações onde produz cocaína. E sim, acho que mantenho minha declaração inicial: ele está produzindo cocaína. […] Eles estão enviando para os Estados Unidos. Então ele precisa ficar de olho”. Ainda lembrou de que Maduro também seria um “narcoterrorista”.
Marco Rubio referiu-se à ditadura comunista de Cuba como um “desastre” administrado por “homens incompetentes e senis”. Assim como declarou que a ditadura cubana deve se preocupar. “Se eu morasse em Havana e fizesse parte do governo, estaria pelo menos um pouco preocupado”, disse. Mas nada (ainda) de relevante sobre o Brasil…
