A ação do BTG Pactual pode gerar uma crise internacional ao setor financeiro brasileiro e prejudicar até 10 mil famílias carentes
Um fundo europeu, cujos recursos estavam depositados no Deutsche Bank, o banco alemão, realizou, por intermédio do próprio Deutsche Bank, a remessa de 500 milhões de euros ao BTG Pactual, em 12 de maio, para conversão cambial e execução dos investimentos da primeira Cidade do Amanhã no Brasil.
Desde então, os recursos permanecem retidos pelo BTG Pactual sob a alegação de procedimentos internos de compliance, impedindo que o investimento seja disponibilizado à empresa destinatária e atrasando projetos estratégicos para o Brasil.
O caso gera um aparente paradoxo. Se os recursos realmente dependem de análise de compliance para serem liberados ao seu legítimo destinatário, como poderiam estar sendo utilizados pelo próprio banco?
Segundo investigação realizada pelo dotBank, os recursos retidos teriam sido utilizados pelo BTG Pactual como lastro em operações financeiras, incluindo uma operação de PPP e outra destinada a uma empresa do setor de Bitcoin. Se essas conclusões forem confirmadas, surge uma questão que o banco precisará responder: como recursos retidos sob alegação de compliance podem, simultaneamente, ser utilizados em operações financeiras de interesse da própria instituição?
O aporte de 500 milhões de euros representa a primeira etapa de um programa muito maior de investimentos destinados ao Brasil. Os recursos serão aplicados em projetos de geração de energia, commodities e, principalmente, no programa Cidade do Amanhã, cuja primeira fase prevê a construção de 10 mil moradias populares, com expansão para outras 20 mil unidades ao longo dos cinco anos seguintes.
A retenção desses recursos não afeta apenas investidores. Ela compromete investimentos produtivos, a geração de empregos e o acesso de milhares de famílias brasileiras à moradia. Cada dia de atraso representa um custo econômico e social crescente.
Se o BTG Pactual possui fundamentos técnicos ou jurídicos para manter a retenção, cabe à instituição apresentá-los de forma transparente. Caso contrário, permanecerá sem resposta uma pergunta de interesse público: por que um investimento internacional de 500 milhões de euros, remetido ao Brasil por meio do Deutsche Bank para financiar projetos de desenvolvimento, continua bloqueado enquanto, segundo a investigação do Deutsche Bank, os mesmos recursos teriam servido de lastro para outras operações financeiras?
O BTG Pactual e as demais partes envolvidas permanecem com espaço aberto para apresentar seus esclarecimentos.
Jornalista, pró-vida, escritora e revisora.
Jornalista independente (2018 – 2021), repórter na Revista Esmeril (2021 – 2022), ilustradora editorial e revisora e repórter na Revista Brasil Secreto.
