Somente ideólogos são capazes de enxergar qualquer benefício no Imposto Sobre Grandes Fortunas; a realidade é que vivemos num manicômio tributário
No Brasil, discute-se com frequência a criação do Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF) como uma solução mágica aos problemas fiscais e sociais. Nada está mais distante da verdade. O IGF é uma proposta tecnicamente absurda, economicamente inócua e moralmente equivocada. Ou seja, totalmente inútil!
Manicômio Tributário
O Brasil é um dos países que mais tributa no mundo. Aliás, aqui se tributa tudo! Não só a renda (IRPF, IRPJ, CSLL), o consumo (ICMS, IPI, PIS, COFINS), a propriedade (IPTU, IPVA, ITR), a circulação de mercadorias e serviços (ISS, ICMS)… Mas até serviços públicos através de taxas. Por exemplo, taxa de lixo, taxa de iluminação, taxas cartoriais etc.. Portanto, é como o Estado punir constantemente qualquer iniciativa de prosperidade.
A estrutura tributária brasileira é tão opressiva que parece uma verdadeira campanha para impedir qualquer pessoa de juntar alguma riqueza. E, caso o cidadão consiga, heroicamente, sobreviver a esse manicômio tributário e acumular uma fortuna? Não recebe um prêmio, mas uma punição extra: o tal do IGF.
Do ponto de vista técnico e econômico, o IGF no Brasil pode ser interpretado como uma forma de bitributação sobre patrimônios. Ou seja, já pesadamente tributados em sua origem. Logo, toda fortuna acumulada é resultado do que restou após sucessivas tributações. Portanto, é o que o Leão não conseguiu abocanhar. A proposta do IGF equivale a uma multa por sucesso, uma penalidade por ousar acumular riqueza, justo em um país que faz de tudo para impedi-la.
Dados mostram o absurdo do Imposto Sobre Grandes Fortunas
Mas demonstremos com dados concretos, o quão inútil é esse tributo. Segundo levantamento atualizado em 13 de julho de 2025 pelo site Real-Time Billionaires, existem apenas 57 bilionários no Brasil. Ou seja, um número irrisório. A fortuna total dessas pessoas é de aproximadamente US$ 231,36 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 1,29 trilhão na cotação mais atual.
E se adotássemos a medida extrema e absurda de confiscar 100% do patrimônio desses bilionários, colocando todo esse montante nos cofres públicos? Não faria sequer cócegas na dívida pública. Pois a Dívida Pública Federal (DPF) já ultrapassa R$ 7,7 trilhões. Ademais, segundo o Plano Anual de Financiamento (PAF), pode chegar a R$ 8,5 trilhões até o final de 2025. Ou seja, mesmo com um confisco total de todas as grandes fortunas do Brasil, restariam cerca de R$ 6,4 trilhões de dívida.
E o que restaria após esse confisco? Nenhum bilionário. Junto com eles, desapareceriam centenas de milhares de empregos, empresas e cadeias produtivas. Um exemplo emblemático é Luciano Hang, o “Velho da Havan”, que emprega acima de 22 mil colaboradores em mais de 180 lojas pelo Brasil. Portanto, exterminar grandes fortunas é, na prática, eliminar grandes fontes de trabalho, renda e investimento.
Uma nação que tenta prosperar à base de impostos é como um homem com os pés num balde tentando levantar-se puxando a alça.
Winston Churchill
Por um Novo Ambiente Econômico
O Brasil precisa criar um ambiente para que tenhamos mais bilionários, e não menos. Países como os Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido possuem centenas de bilionários e beneficiam-se enormemente de seu espírito empreendedor. Pois esses bilionários são responsáveis por gigantescas inovações, cadeias produtivas robustas e milhões de empregos.
No Brasil, o excesso de tributação afugenta esses empreendedores. Pois fogem dos impostos como o diabo da cruz. Porém, não por avareza, mas por desgosto de ver seu dinheiro, sempre bem administrado, nas mãos de um bando de gente não sabe administrar. Tanto é que provavelmente chegaremos no final do ano com R$8,5 trilhões de dívida pública.
Como é possível que a gestão pública produziu uma dívida quase seis vezes maior do que todo o patrimônio de todos os bilionários do país somados? Afinal, não falamos de catástrofes ambientais ou de grandes imprevistos. Mas de incompetência estrutural, de desperdício institucionalizado, de uma máquina pública voraz que consome tudo e ainda quer mais. Não há sistema produtivo que sobreviva a um Estado que opera como um buraco negro fiscal!
Conclusão
Portanto, o IGF não é solução para nada. Pelo menos não neste país. Mas apenas outro gesto simbólico e populista, penalizando os que mais contribuem ao crescimento econômico do país. Sendo assim, o verdadeiro caminho é a reforma administrativa. Com a melhora na gestão dos recursos, desburocratização e a promoção de um ambiente favorável ao investimento e à geração de riqueza. Porém, estamos na contramão disso tudo.