O que Olavo de Carvalho tirou da Filosofia de Leibniz

Contribuições das teorias da razão de Leibniz à metafísica de Olavo de Carvalho

Leibniz acreditava que o mundo é, em última instância, racional. Ou seja, que tudo tem uma razão suficiente para ser como é e não de outro modo. Essa ideia, conhecida como princípio da razão suficiente, foi um dos pilares da metafísica de Olavo de Carvalho.

Ordem e Realidade para Olavo de Carvalho

Para Olavo de Carvalho, isso implicava que a mente humana é capaz, ao menos em parte, de compreender a estrutura da realidade. Pois a verdade não está oculta por completo, nem é produto do consenso. Isso se opõe frontalmente ao relativismo moderno, que Olavo combateu com vigor. Ele via em Leibniz um aliado no resgate da confiança na razão e no logos.

Outro ponto importante: Leibniz via o conhecimento como algo ordenado em níveis. A matemática e a lógica oferecem ferramentas precisas, mas são limitadas. Todavia, a filosofia busca os fundamentos últimos, e a teologia toca nas causas primeiras.

Olavo absorveu essa hierarquia e a aplicou em sua crítica à cultura contemporânea. Conquanto, para ele a inversão dessa ordem – quando a ciência tenta ocupar o lugar da filosofia, ou a filosofia o da teologia – gera confusão mental. Leibniz o ajudou a entender que o saber tem uma estrutura, e que respeitá-la é essencial para não perder o juízo.

Um dos problemas clássicos da filosofia moderna é o abismo entre o sujeito que conhece e o objeto conhecido. Leibniz tentou superar esse dilema propondo uma visão mais integrada do conhecimento. Sendo assim, para ele cada mônada (unidade básica da realidade) espelha o universo inteiro de um ponto de vista único.

Olavo de Carvalho traduziu isso para sua ideia de que a mente não é um espectador passivo, mas participa ativamente da apreensão do real. Daí sua insistência em que o conhecimento não é só acúmulo de dados, mas uma experiência existencial e pessoal de busca pela verdade.

As Mônadas

Leibniz defendia que as mônadas não interagem causalmente entre si. Mas operam em sincronia por uma “harmonia preestabelecida” criada por Deus. Olavo de Carvalho não adotou essa tese literalmente. Porém, reinterpretou como imagem útil para pensar a ordem do mundo – que não é mecânica, mas simbólica e espiritual.

Isso reforçava sua crítica ao materialismo e ao cientificismo: o universo, para Olavo, é permeado de sentido. Não se trata de uma máquina cega, mas de uma criação ordenada, na qual tudo remete a um propósito mais alto.

Olavo de Carvalho não era um “leibniziano” puro, mas soube tirar da filosofia de Leibniz ferramentas preciosas para sua própria visão de mundo. O princípio da razão suficiente, a hierarquia do saber, a integração entre mente e realidade e a ideia de uma ordem superior no cosmos formam a espinha dorsal de muitas de suas ideias.

O que é a Monadologia de Leibniz? Uma Visão Geral e Direta

A Monadologia é uma das ideias mais originais e misteriosas de Leibniz. Para ele, a realidade não é feita de matéria no sentido comum. Mas de “mônadas” — unidades indivisíveis, imateriais, e ativas que compõem tudo o que existe.

São mais parecidas com centros de percepção do que com partículas. Cada mônada é como um ponto de consciência que reflete o universo inteiro de um ponto de vista único. Nada entra ou sai delas. Elas não interagem diretamente entre si.

Leibniz diz que as mônadas “não têm janelas” — ou seja, não recebem influência externa. Mas isso não significa que estão isoladas. Cada uma segue um programa interno, dado por Deus, que faz com que tudo funcione em perfeita sincronia. Essa é a famosa “harmonia preestabelecida”.

Nem todas as mônadas são iguais. Algumas têm percepções confusas (como uma pedra), outras mais claras (como os animais), e a mais elevada é a alma racional, ou seja, a mente humana. Acima de todas está Deus, a mônada suprema, que contém o plano de todas as outras.

No fundo, a Monadologia é a tentativa de mostrar que o mundo não é só matéria e movimento. É feito de sentido, percepção e inteligência — mesmo nas coisas que parecem inertes.

Referências

  • Uma História da Filosofia – volume II, Frederick Copleston, Vide Editorial
  • Curso: História Essencial da Filosofia, Olavo de Carvalho, É Realizações

Originalmente publicado em História e Tradição!



PARA VOCÊ

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Verified by MonsterInsights