A educação domiciliar e não convencional torna-se uma parte ainda maior do nosso futuro
Tinha oito anos quando perguntei pela primeira vez à minha mãe por que algumas crianças tinham que ir de ônibus a escola todos os dias e eu não. “Nem todo mundo vai de casa aescola como você”, ela sorriu. “Muitas crianças vão a escola tradicional, aprendendo com os professores por horas do dia, e é assim que aprendem.” Mas como formanda através de educação domiciliar, fiquei curiosa. Lembro-me da minha próxima pergunta: “Eles gostam?”.
Educação ‘Tradicional’
A única coisa “tradicional” na minha vida escolar era o tempo que passava em frente ao quadro branco, onde praticava vocabulário e problemas de matemática. Pois passava a maior parte dos meus dias visitando bibliotecas e museus locais, estudando online, tendo experiências práticas, escrevendo em diários e elaborando uma agenda que funcionasse para mim. Sendo assim, quando cheguei ao ensino médio, a educação autodirigida era minha principal forma de aprendizado.
Logo, dedicava meu tempo a construir negócios, fazer trabalho voluntário, pesquisar por conta própria, aprender habilidades como programação e animação. Assim como trabalhar em documentários curtos e fazer cursos de AP e na faculdade, quando as aulas convencionais ficavam muito fáceis. Tudo era possível e, como aprendiz neurodivergente, isso fez toda a diferença.
Você poderia facilmente pensar que “perdi” algumas experiências valiosas que a maioria das crianças nos EUA cresce tendo em escolas públicas. Mas, considerando jornadas escolares de quatro horas e notas acima em certas matérias quando cheguei ao ensino fundamental, não acho que perdi muita coisa. Na verdade, diria que a forma como educaram-me, ensinou uma lição importante sobre o valor da educação.
Concluí meu programa de educação domiciliar em 2020. Ou seja, terminava o ensino médio quando a maior parte do mundo começou a ver a educação domiciliar como algo mais do que uma novidade ou um movimento marginal durante a pandemia. Para mim, a educação domiciliar era simplesmente um modo de vida, a minha vida. Por isso, só mais tarde, na adolescência, consegui entender o quanto era um privilégio.
Educação Domiciliar e Aprendizado
Meus pais eram educadores e criaram a mim e ao meu irmão com a compreensão de que o direito de aprender e sentir-se capaz conquistava-se com luta. Isto é, cabia a nós continuar esse legado bravamente. Por conseguinte, meus pais incutiram-nos o desejo de aprender por aprender, encontrando alegria em nossos interesses e investindo em nós mesmos para crescer e alcançar. Desde cedo, aprendi que boa educação gera autossuficiência e sucesso, sendo meus anos no ensino médio especialmente formativos a construção de caráter, desenvolvimento de carreira e definição de metas.
Jamais entenderia o poder da educação não convencional ou tornaria-me defensora dela, sem experimentá-la do jardim de infância ao ensino médio. Conquanto a Educação Domiciliar durante os anos do ensino médio não é só possível; mas extremamente influente e transformadora. A mais recente publicação da FEE do empreendedor residente Kym Kent, Homeschooling to College and Career, apresentou temas semelhantes.
É também por isso que recentemente escrevi/editei um livro para a FEE chamado “Generation HomeschoolED: A Collection of Essays from Unconventionally Schooled Learners and Alumni Across the Country” (Geração Educada em Casa: Uma Coleção de Ensaios de Alunos e Ex-Alunos Não Convencionalmente Educados em Todo o País). No qual eu e outros doze alunos e ex-alunos educados em casa discutimos o impacto que a educação domiciliar teve em nossas vidas. Recomendo a leitura e a apreciação de todas as histórias incríveis de jovens cuja educação desafiou as normas da sociedade. Inclusive, os ajudou a tornarem-se poderosos líderes emergentes, inovadores e educadores.
Nos EUA, a educação não convencional faz parte de nossa históriahá muito tempo, moldando presidentes e formando os líderes do futuro. Agora, torna-se uma parte ainda maior do nosso futuro, mudando a maneira como vemos a educação e a aprendizagem. A educação domiciliar durante o ensino médio é possível e, agora, mais do que nunca, percebo o quão poderosa.
Este artigo foi publicado originalmente no site do Laboratório de Empreendedorismo em Educação da FEE. Traduzido por João Pedro Moscati
PARA VOCÊ
Associada da FEE no LiberatED Education. Nasiyah estudou em casa durante toda a sua educação básica, do ensino fundamental ao médio, e cursou a graduação na Liberty University, onde ingressou na pós-graduação na Regent University. Ela é fundadora da Homeschool EmpowerED Inc., uma rede sem fins lucrativos de educação domiciliar e centro de advocacy que criou na adolescência. Nasiyah atuou como bolsista e consultora de diversas organizações nos últimos anos e é coach de liderança e mentora em eduempreendedorismo.
Seus interesses incluem blogs, trabalho com políticas públicas/advocacy e desenvolvimento de projetos de aprendizagem-serviço para alunos do ensino fundamental e médio. Como ávida palestrante e defensora do ensino domiciliar, ela é fascinada por pesquisas econômicas focadas na liberdade educacional e defensora de modelos de aprendizagem centrados no aluno, autodirigidos e baseados em projetos.
Em seu tempo livre, ela gosta de ler, escrever poesias, desenvolver ainda mais suas habilidades em culinária multicultural e passar tempo com sua família.






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