O Governo do Brasil ignorou e desperdiçou todas as oportunidades de aproximação com o governo americano. Seja por alinhamentos ideológicos ou percepção falha da realidade mundial
Neste exato momento, o Brasil se encontra em meio a uma crise diplomática e tarifária de proporções alarmantes. Mas em um cenário que é o reflexo direto de uma gestão pública incompetente em diversas frentes e oportunidades. Pois, o que seria um divisor de águas, um trampolim ao protagonismo global, transformou-se em um atoleiro de decisões descabidas e reações impulsivas. Aliás, com consequências que já começam a sufocar a economia nacional. Portanto, dói na alma presenciar tanta oportunidade escoar pelos dedos da inépcia. Eu explico!
Oportunidades Desperdiçadas
Em abril deste ano, o Brasil desfrutava de um posicionamento no cenário global que muitos países só sonham em ter. Pois o mundo mergulhou na guerra comercial entre Estados Unidos e China. Com os EUA sobretaxando agressivamente os produtos chineses. Logo, um terreno fértil se abriu ao Brasil, para assumir um papel de protagonismo comercial. Especialmente em nossa incontestável liderança na exportação de proteína animal.
Por exemplo, em 2023, as exportações de carne bovina do Brasil para a China totalizaram US$ 6,8 bilhões. Ou seja, cresceu 24% em relação ao ano anterior, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). Esse era o momento de ouro! A janela de oportunidade para selar alianças estratégicas com os EUA e fortalecer os laços comerciais.
O mais interessante é que os EUA, em um primeiro momento, nos consideraram um aliado comercial, poupando-nos de pesadas imposições tarifárias. Dados do Departamento de Comércio dos EUA mostram que, em 2023, o Brasil foi o 14º maior parceiro comercial dos Estados Unidos. Com um intercâmbio bilateral de bens e serviços que ultrapassou US$ 90 bilhões. Por isso, evidenciou muita expectativa de nossa parte. No entanto, seguiu-se uma inação que beira a irresponsabilidade criminosa. É um ultraje ver uma chance tão clara ser jogada no lixo da desídia.
Trapalhadas Econômicas
O foco da equipe econômica, personificada no ministro da Economia, Fernando Haddad, restringiu-se à arrecadação interna, uma visão tacanha e míope. Ignoraram as oportunidades de aquecer as relações com os EUA para fomentar a exportação, fortalecer nossa moeda e desenvolver nossos exportadores. Que só trazem benefícios para a cadeia na produção interna como giro de capital e na geração de empregos. A exportação brasileira de bens para os EUA, em 2023, atingiu cerca de US$ 38,7 bilhões, conforme dados do Ministério da Economia. Logo, imaginem o que conquistaríamos se houvesse um esforço coordenado para aumentar esses números em meio à guerra comercial!
Para agravar, não apenas coisa alguma fizeram para capitalizar essa chance. Mas as poucas ações tomadas, além de inócuas, sinalizaram aos EUA que o Brasil não era um aliado tão comprometido quanto se esperava. Essa oportunidade não aproveitada serviu apenas para corroer a percepção dos EUA sobre a confiabilidade do Brasil como parceiro comercial. É como dar um soco no próprio estômago.
Enquanto o Brasil cambaleava em sua própria inação, a China, por outro lado, deu uma aula de diplomacia ágil e eficiente. Mesmo respondendo com elevação de tarifas num primeiro momento, a sutileza e a capacidade de arrefecer os ânimos, suavizando a situação sem alardes, polêmicas ou escândalos marcaram a atuação chinesa.
Segundo a Administração Geral de Alfândega da China (GACC), as importações chinesas dos EUA, apesar das tensões, mostraram uma resiliência notável em certos setores. Porém, fruto de uma negociação inteligente. Esse contraste é um tapa na cara da nossa incompetência. A falta de preparo e a impulsividade na condução da política externa brasileira são dignas de um enredo de comédia de erros. Se não fosse tão trágico para a nossa nação.
Descaso com as Oportunidades de Aproximação
Não se pode afirmar, mas o descaso brasileiro com as oportunidades de se aproximar dos EUA pode, sim, ser interpretado como um desaforo diplomático. Em um cenário de disputas entre potências econômicas, a busca por retaguarda por nações mais fracas economicamente ou dependentes é um movimento natural e vital para a sobrevivência. Ao que parece, a postura brasileira ignorou essa lógica elementar.
A culminação dessa sequência de equívocos veio com a carta oficial de Donald Trump ao presidente Lula em 9 de julho. O teor repreensivo da carta, que anunciou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, apesar de ter uma motivação política declarada, citando casos de perseguição política, é um gigantesco ponto de atenção.
Mas a reação do Presidente Lula foi um autêntico show de horror estratégico e diplomático! Ao invés de uma resposta ponderada e calculada, ou melhor ainda, uma não resposta! Optou por uma postura visceral, respondendo com insultos e ironias. Essa atitude, além de não contribuir para a resolução da crise, tencionou ainda mais a relação. Sendo assim, transmitiu imagem do Brasil em uma posição de força que claramente não detém. É um vexame público. Como se atreve um chefe de Estado a agir de forma tão infantil diante de uma crise que afeta milhões de brasileiros?
É evidente que o presidente Lula não tem a ganhar com esse tipo de discurso e postura. Pelo contrário, as únicas perdas serão sentidas pelo mercado brasileiro. Que nada tem a ver com o destempero do presidente ou com a vergonhosa falta de preparo técnico da diplomacia nacional.
Impactos Negativos
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, sinalizou os impactos negativos que a principal locomotiva econômica do país pode sofrer. Também destacou que os EUA são o maior destino das exportações industriais do estado. Segundo dados da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), as exportações paulistas aos EUA representaram 22% do total exportado em 2023. Isso totaliza mais de US$ 15 bilhões.
Portanto, o impacto dessas tarifas de 50% será devastador para a indústria e o agronegócio paulista, e consequentemente para o Brasil. Ainda ignoraram completamente sua tentativa de trazer sanidade à discussão, defendendo a necessidade de negociação e de deixar de lado questões ideológicas e revanchismos.
A medida tarifária, que entrará em vigor em 1º de agosto, será aplicada de forma ampla e automática. Logo, encarecerá os produtos brasileiros no mercado norte-americano e potencialmente reduzirá a competitividade de nossos exportadores. A tarifa é adicional a outras já existentes e determinada unilateralmente pelo governo dos EUA. Mas, também abriram uma investigação formal contra o Brasil por práticas comerciais consideradas desleais.
Até o momento, o cenário diplomático é de total incerteza, e nenhuma perspectiva de melhora se vislumbra no horizonte. A crise diplomática e tarifária em que o Brasil se encontra é um reflexo vergonhoso de uma gestão pública. Pois, ao que tudo indica, priorizou o imediatismo e a retórica vazia em detrimento da estratégia e da diplomacia séria. Logo, ariscou o futuro econômico do país. É revoltante ver o Brasil, com todo o seu potencial, ser arrastado para o fundo do poço por uma irresponsabilidade sem precedentes.
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